sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

homenagem a minha màe

A aurora da juventude...

Primeiro de tudo devemos reconhecer: Elizabeth, cada ano que passa voce esta mais bonita. Seja por forças terrestres, cosmicas, naturais, sobrenaturais, espirituais, biologicas, fisicas ou mesmo psiquicas e transcendentes, ou mesmo pela junçào de todos esses elementos. A conclusào matematicamente falando que encontro é que tu esta mais bela!

Com o passar do tempo semelhantemente com o processo da aguia voce se transformou e radiosamente ganhou mais iluminaçào, sabedoria e vivacidade. Talvez pela possibilidade de poder olhar do alto das montanhas e se permitir voos mais longinquos tu tenhas se tornado mais bela. Os poetas diriam que voce alcançou o patamar do sublime e absoluto e assim alcançando a plenitude da vida, os filosofos diriam que a poucos anos voce renasceu e se tornou amiga da sabedoria, os teologos diriam que o espirito da divindade se acende de forma mais latente em seu interior e os misticos afirmariam que agora tu podes vislumbrar o volto de Deus e inebriar-se com seu esplendor.

A linguagem de Deus é o silencio. Uma linguagem mistagogia que so se compreende na maturidade e no entardecer da vida. Entardecer que nào significa anoitecer e escurecer, mais preparar-se para o amanhecer e a nova luz que vem surgindo do alto. O Sol para os antigos povos egipcios e orientais era o sinal da propria divindade e na concepçào daquela cultura era uma divindade feminina. Assim retornamos ao titulo deste texto a aurora da juventude e é aurora porque se remete a algo feminino e simultanemente belo, porem belo como caracteristica propria dos seres capazes de gerar vida e nesta dinamica de gerar e nutrir uma vida que vai chegar, nutrir com seu proprio ser e nào falo de vida no senso globalmente biologico, mas especificadamente no senso de gerar ser humano racional , isto é homo sapiens.

Deus e a mulher, dois seres que se assemelham no artesanato de criar e gerar vidas humanas e unicos portadores deste canal cosmico que liga o que é do céu com o que é da terra, fazendo uma unica substancia em duas especies. Transubstanciaçào, legame de duas especies que se justapoem em uma unica, processo cristico na natureza humana fazendo dela tambem divina. Assim escreve o dogma cristào e creem os fieis e assim faz Deus tornando o que seria impensavel em projeto de salvaçào e redençào.

Mulher, antes de ser minha màe tu és uma mulher e como ser com e pela divindade gera vida humana, tu és deus por participaçào. Mulher cristica que como Maria gera um salvador da singeleza de seu ventre e na pureza de suas entranhas. Alimenta-os com o leite e amor de seu caloroso peito e lhes mantem protegidos com a força e garra de seus braços. Sintese de ternura e vigor, potencia e fragilidade e morfologia de amor e esperança do e nos olhos deste que chegou e nunca termina de chegar. Os olhos de um filho sào sempre caminhos misteriosos para uma màe, terreno a ser redescoberto sempre e quando se trilha nas veredas desses olhos se ve assim como no reflexo de um espelho. Porque nos olhos de um homem vive uma mulher, no globo ocular de um menino habita sua màe e basta guardar-lhe com fe e tu vera voce mesma na imensidào destes olhos.

Parabens minha màe. Que orgulho ser seu filho e me enveredar nos caminhos do ser que se vai descobrindo e redescobrindo em seus olhos. Sua voz se tornou uma cançào para meus ouvidos nas noites frias e solitarias e nos momentos de duvida seus passos me dào firmeza mesmo na distancia. Que Deus, o seu tu interior te conduza pelo verde das florestas e dos bosques celestes e transporte luz do Sol em seu espirito e coraçào. Ilumine e gere vida em vida que necessitam de seu ser e de seu calor.

Te amo com a singeleza de um nascer do Sol e o vigor de uma cascata que toca os rochedos.

com carinho

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Vinte e sete

A primeira coisa que desejei fazer quando chegou este dia ( sete de outubro) foi escrever. Escrever quem sabe para mim mesmo ou talvez para aqueles que possivelmente possam em um ato heroico responder ou comentar meu texto. Ato heroico porque revela a capacidade de sentir e cuidar, isto mesmo, digo cuidar de um texto e de cada palavra que foi gerada nele como uma màe carrega com amor seu filho recem nascido nos braços e lhe da proteçào.


Vinte sete anos, mas o que sào vinte sete anos? Primeiro de tudo ja nào sou tào jovem assim. Este é um tempo da vida que exige um recolhimento interior, pois esta etapa faz uma ponte entre a aventureira juventude que tem como meta as coisas impossiveis e a maturidade que vem um pouca mais lenta, nào é mais tào aventureira e se contenta com a simplicidade das coisas possiveis da vida, como diz um ditado da Grecia antiga (originario do templo de Delfos) nao deseje o impossivel e faça tudo de acordo com seus limites, acredito que os grandes filosofos (como Socrates e Platào 600 ac) nào so aprenderam, mas tambem ensinaram bem esta liçào.


Liçào? Sim, tempo de recolher os frutos maduros que cairam da arvore e saber que sempre é tempo de plantar novos. Esta metafora me recorda a morfologia da amizade que se assemelha ao ato de colher os frutos e deve ser um oficio cotidiano. Os frutos recolhidos e o cuidado ofertado no passado que nào se pode deixar esquecido no futuro e necessita do amor de seu plantador. Talvez, esta seja a tarefa mais ardua e mais nobre, pois exige fidelidade e dedicaçào. Quando Santo Agostinho falava da amizade ele primeiramente vivenciava este milagre divino. Agora me pergunto: como pessoas humanas como nos podem adiantar no presente aquilo que se sente e somente se encontraria na eternidade? Agostinho era um bom discipulo do tempo e refletia sobre a amizade e em uma de suas sinteses afirmava que estas relevancias nào se compreendem, mas se vivem e espiritualmente podemos crer pois é dom de Deus. Deus que e silencio e misterio!


Tempo? Vinte e sete pode ser um numero de belas reflexoes e analises numerologicas e simbolicas. Mas sempre me dirijo a refletir sobre o tempo e o ser que em um contexto historico se encontra nele. A espiritualidade e a mistica que circunda podem ser de tamanho valor. Mas o tempo, este fator imcompreenssivel, mas medico de nossas vidas, que nos envelhece e rejovenesce ao mesmo tempo, mas nos faz orar e transcender para alem do universo e entender que existem perguntas que nào devem ser respondidas ou feridas que nào vào ser cicatrizadas agora. O senhor do céu e da terra, o kronos e kairos do homem e por fim o alfa e o omega dos elementos naturais possui seus encantos e mesmo que sejam temporais podem ser eternizados no coraçao. 

Oração ao Deus desconhecido

“Antes de prosseguir em meu caminho e lançar o meu olhar para frente uma vez mais, elevo, só, minhas mãos a Ti na direção de quem eu fujo.
A Ti, das profundezas de meu coração, tenho dedicado altares festivos para que, em cada momento, Tua voz me pudesse chamar.
Sobre esses altares estão gravados em fogo estas palavras: ”Ao Deus desconhecido”.
Sei, sou eu, embora até o presente tenha me associado aos sacrilégios.
Sei, sou eu, não obstante os laços que me puxam para o abismo.
Mesmo querendo fugir, sinto-me forçado a servi-Lo.
Eu quero Te conhecer, desconhecido.
Tu, que me penetras a alma e, qual turbilhão, invades a minha vida.
Tu, o incompreensível, mas meu semelhante, quero Te conhecer, quero servir só a Ti. “

Friedrich Nietzsche


domingo, 17 de outubro de 2010

PAIXÃO DE JESUS



Primeira parte Prisão de Jesus 18,01 - 18,27



Segunda parte Jesus diante de Pilatos 18,28 – 19,16



Terceira parte Morte de Jesus 19,28 – 19,42





19,17 Crucificação







1. INTRODUÇÃO





A dor dos pregos perfurando suas mãos aliada à dor provocada pela coroa feita de espinhos ao redor de sua cabeça, não foram tão intensas quanto à angústia do abandono revelado pelo silêncio do Pai. Mc 15, 34 “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?” Lc 23,46 “Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito”. Mt 27,26 “Deus meu, Deus meu, porque me abandonaste?” Jo 19,30 “Esta acabado”.

A cruz representa nossa rudeza, ou melhor, “dureza de coração” que necessita ser vencida. Nisto recordamos que é o próprio Deus que esta pregada nela e a vence sozinho, porém, nos torna vitoriosos juntos. É a ressurreição de Jesus, mas substancialmente é a nossa ressurreição também, esta do pecado (morte – distanciamento de Deus). A cruz se encontrava fincada a terra, assim semelhante a nossa condição humana que é elevada ao céu mesmo estando na condição de pó da terra. O amor que fora depositado ao homem, mesmo no abandono e até no silêncio da morte. Há uma linguagem silenciosa de Deus que transcende os ouvidos e ascende, isto é, transdescendente do mais alto céu ao coração humano.

É a cristofania gerada, consubstancial e corporificada na antropofania. A soteriologia crística por sobre nossa antiga condição adâmica. Jesus é alicerçado à nosso coração, epiderme e vida (nossa pneuma - espírito). O profeta escatológico como identifica o teólogo Rudolf Bultmann, este que aponta e revela a parusia, ou o resgate do primeiro Éden por nós perdido, mas sempre desejado. O reino dos céus que deve acontecer no homem, criação predileta que prefigura a imagem e semelhança do Criador que é Abba, é Pai.

Para além da dimensão humano-afetiva-psíquica-intelectual-comunitária do gênero humano. O surgimento rompante de uma sexta dimensão é validado por Jesus, a dimensão da solidão, que é revelada à experiência do crucificado no madeiro da cruz que dela brota a glorificação, o milagre da ressurreição. A radicalização de Cristo na vivência do ser humano assumido em todas as suas instâncias percorrendo desde a angústia desiludida do abandono até a falência dos órgãos e paralisação cerebral, ou seja, a morte.

A solidão, o deserto deve ser a casa por excelência do religioso. Não a instauração de um refúgio ou uma fuga de seus demônios e medos inconscientes. Mas, o despertar resplandecente de sua tenacidade ao término da peregrinação desértica ao encontro de Jesus que fulgura a face do Deus vivo, é sua epifania vivente, histórica e paternal. Aonde não há ninguém e nem seus rastros. Distantes do refúgio acolhedor da casa materna, do colo paterno e protetor do beijo ou do abraço significativo que provém do amigo- irmão ou companheiro. O deserto, essencialmente desvinculado dos acessórios tecnológicos do século XXI como do mp3, laptop ou algum livro ou instrumento litúrgico. Só há você e Deus neste dialogo entre o EU e o TU que se revela apenas o NÓS, espiritual corporificado na materialidade crística humano-divino dentro do coração que é anunciada, irradiada e ilumina ao caminhante místico que é o filho de Deus no e para o pensamento de Deus.

domingo, 1 de agosto de 2010

Matrimonio

GIBRAN KAHLIL


Agora, Almitra perguntou-lhe denovo: Que coisa podes dizer do matrimonio, maestro?
E ele respondeu:
Voces nasceram juntos e devem estar sempre juntos. Estarais juntos quando as brancas da morte perderem os vossos dias.
Sim, estarao juntos tambem na memoria silenciosa de Deus.
Mas que sera espaço no vosso estar juntos.
E que os ventos do ceu dancem entre voces.

Amem-se

Agosto

Sempre é tempo de curar as feridas. Saber esperar cicatrizar as chagas de uma realidade que contrapoe nosso ser. Estou aprendendo a esperar e por mais dificil que possa ser estou aprendendo a curar minhas proprias feridas. A melhor medico ainda é aquela que te permite ser medico de si mesmo, como Jesus que fazia terapia da palavra, analise cardiologica em coraçoes machucados e clinica de vidas jà mortas pela amnesia de seu valor.
Ainda hoje me pergunto o que procuro e talvez seja esta sua mesma pergunta antes de dormir ou instantes antes de sair de casa e colocar os pes no mundo. O alvo parace-me muito incerto e pouco nitido. Muitas luzes ofuscam os olhos daquele que porta a verdadeira luz, mas nenhuma delas é mais forte que aquela que ele porta em seu coraçao.

Portanto que essa luz que voce porta te ilumine e resplandeca sobre sua face, porque no final das contas o importante é transcender e produzir vida em vidas, se os olhos sao o espelho da alma, façamos clinica dos olhos e terapia do olhar, para que com mais serenidade possamos receber o outro em nossa retina e sintetiza-lo como parte de nosso campo visual. 

Agosto seja bem vindo!

INNO ALL'AMORE (dalla prima lettera ai Corinti di San Paolo)


 Se parlo le lingue degli uomini
E anche quelle degli angeli,
Ma non ho amore,
Sono come un metallo che rimbomba,
Uno strumento che suona a vuoto.
 
Se ho il dono di essere profeta
E di conoscere tutti i misteri,
Se possiedo tutta la scienza
E anche una fede da smuovere i monti,
Ma non ho amore,
Io non sono niente.
 
Se do ai poveri tutti i miei averi,
Se offro il mio corpo alle fiamme,
Ma non ho amore,
Non mi serve a nulla.
 
Chi ama è paziente e generoso.
Chi ama non è invidioso,
Non si vanta,
Non si gonfia di orgoglio.
 
Chi ama è rispettoso,
Non cerca il proprio interesse,
Non cede alla collera,
Dimentica i torti.
 
Chi ama non gode dell'ingiustizia;
la verità è sua gioia.
 
Chi ama tutto scusa,
Di tutti ha fiducia,
Tutto sopporta,
Mai perde la speranza.
L'amore non tramonta mai.